Tempo de Estudar
Eu e meus irmãos, inicialmente, estudamos todos na mesma escola, esta ficava localizada no bairro do Panamericano, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Dr. José Bonifácio de Sousa, recentemente transformada em escola municipal. Apenas eu havia sido transferida depois para outra, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Antonieta Siqueira, localizada no bairro do Jóckei clube, ambas próximas a nossa casa no Pici.
Mudei para o “Antonieta” no ano de 1996, início da sexta série. Devido ao contigente de alunos naquele ano no “José Bonifácio”, ocorreu de recebermos uma visita domiciliar com a proposta de me mudarem de escola e, assim foi feito.
Lembro bem do meu primeiro dia de aula na primeira escola da minha vida. Fui a primeira a chegar, estava toda anciosa por ir. Quando chegamos lá, minha mãe e eu ficamos um tempão esperando funcionários e alunos porque o espaço estava completamente vazio. Os únicos que encontramos foram o vigilante e a merendeira Lurdinha. Fiquei contando os minutos de entrar pra sala de aula.
Ainda hoje me lembro da tia Iragênia, minha primeira professora. Antes já havia estudado em creche-escola comunitária, mas quase não considerava porque não conseguia lembrar direito.
Lembro que acordava cedinho com uma preguiça daquelas... Lembro que minha mãe me levava e buscava. Lembro que estudávamos juntas, eu e minha prima. Lembro do lanchinho que minha mãe organizava pra eu levar. Lembro que a população chamava a escolinha de creche da Maria Augusta, esse era o nome da líder comunitária responsável. Mas, nada antes havia sido tão marcante do que aquela enorme escola e, nem tão pouco quanto à tia Iragênia. Ela era gentil, paciente e atenciosa, estava sempre pronta pra auxiliarmos com as nossas dificuldades. Era um anjo.
Fiquei no Antonieta Siqueira até a conclusão do ensino médio. Trago de lá as lembranças das amigas, Ana Cléia, as Patrícias, eram duas na turma, a Valéria, a Bebel (...) os amigos Leandro, Thiago (...), o primeiro amor, os inesquecíveis professores, Assis, Malka, Valdir (...), a idas e vindas pra pesquisar na biblioteca do campus do Picí, ou trabalhos de equipes aonde íamos para as casas das colegas, ou as nossas estratégias de estudos coletivos, quando não estávamos entendendo muito bem determinado conteúdo, e muitas vezes a colega sabia explicar melhor que o(a) professor(a). A festa da oitava série, com direito a valsa, vestido de princesa e pagar o mico de ir andando até a escola, esta ficava a cinco minutos lá de casa.
Auri Pereira
Fortaleza 28 de janeiro de 2010

1 comment:
É incrível, mas por mais que essa época de estudos na escola pareça terrível, ainda assim pode ser considerada a melhor parte de nossas vidas. Cobranças pequenas, sem grandes rivalidades ou competitividade.
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