Sunday, August 20, 2006

Pedaço d´eu em noite de luar

Eu.
Meu quarto.
Onze horas da noite.
Palavras que nao tive tempo,tempo, tempo... oportunidade, ou simplesmente nao quis falar.
Linhas brancas logo abaixo esperam ser preenchidas... papel vazio, vozes caladas no tempo e no espaço... o relógio da vizinha... acabou de tocar.
Ele sempre toca,toca... oca, ôca...
e agora alarma 11 vezes toca toca, é realmente onze da noite, onze toques... toque, me toque.
Lá fora chuvinha cai fina, gostosa.
Eu?
aqui dentro.
Camisolo. Pés descobertos, dá mais frio ainda quando estão assim.
Vento que faz sonoplastia invejável. Barulho de sereno batendo no telhado.
Espetaculo natural de vida cotidiana.
Acordar, banhar, estudar, trabalhar... e tantas outras minuncias cansativas, prazerosas, estressantes, harmoniosas.
Compasso e descompasso. Todos os dias, o dia todo.
Olhos fechados, lembranças, fantasias, detalhes... de migo, comigo, contigo.
Eu em noite de luar... praia, mar, areia branquinha, pé no chão... pega-pega que me pega e eu te pego.
Beijo na boca, no queicho...boca no queicho!
- Me dá beijo? Beijo bom. Beijo no rosto, na testa, na boca, no coraçao.
Movimentos dançados de instinto e prazer. Poesia vivida, interpretada.
Teatro de cenas fragmentadas, entrecortadas, despedaçadas...que vão, que vem.
Corpo no corpo, colado. Friozinho na barriga, silencio alucinante, alucinado, ofegante.
Suspiros, sentimento de incerteza, de pudor, de dúvidas, de desejo, de amor repentino... ai meu deuso! Será?!
Amor cristalizado, cena parada, estática, onde o amado é personificado na figura de um deus trovador, começo de uma embriaguês.
De ambos?!
Sei nao! De alguma das partes pelo menos. Que seja então!
Histórias...história de navio, caravelas, pescadores... a imensidao do mar...onda que vai e que vem. Transformada ou transtornada.
Palavras...letras... que se forma sílabas, que se forma palavras, que se forma frases, que se forma texto-histórias, historias desencontradas.
Vontade de calar boca com beijo, beijinho só, que traga desejo.
Cheirinho bom, gostoso...cabelo comprido!!!
- Porque não solta?
Deixa ventar, espalhar, esvoaçar, cativar, en/cantar canto da liberdade, do amor sem expansão, sem direçao, explicação.
-Será que seu óculos é mágico? É a luneta que consegue ler o coraçao?
Amor que se sente no dia, na palavra, no silencio, olho, toque, corpo, sentimento.
É que ... nem deu tempo.
Tempo apressado, despedaçado.
Neu deu tempo... menino véi!!!
Falar, sentir, tocar, cantar, dançar música de carinho, sei lá... tudo tão rápido.
Loucura!!!
Viagem que chama, malas que espera partir... a partida, repartida.
Caminhos contrários, desencontrados, vida que espera ser continuada, vida transformada, mexida, remexida, alterada.
Despedida, abraços, beijos, selinho só... dá cá... vontade de ir/ficar, ficar/ir.
Encanto rompido!
- Vai ficar bem?
-Vou ficar com saudade.
Trago-te ... trago-te no corpo, na saudade que grudou em mim... que nao quer sair... lembrança pregada.
Sono dormido, sonho sonhado, noite acabada, acordada, despertada.
Lua que passou, renovou.
Mundo que gira e me gira... distante-distancia... longe-perto, dentro de mim/ti... passado/presente... vida continuando.
- Será que algum dia ainda nos veremos? Sei nao... te espero como uma onda.
tic-tac...tic-tac... tempo, tempo, tempo...
O relógio...tocou de novo?! Que pôrra!!!
Meia noite, me vou... dormir...tempo passou... boa noite!
tic-tac...tic-tac...
Aurilene Pereira

Saturday, August 12, 2006

Negra Flôr



Eis que o caminhar da alvorada
Entres os raios que partem das estrelas
E o sorriso companheiro que afaga o espirito
Tem em nós provocado sentimentos tenros
Inundando nossa alma da mais bela melodia
Cantada pela morena dos cabelos cacheados.
Eis, que a periferia resgata com ela
O perfume da cultura popular
O cheiro que nos toma conta
Do crescer dia após dia
Sobre a luz divina, do sentir, interrogar,
Por fim, do criar e interpretar.
Ao completar mais uma primavera
Seus cachos ingênuos vão mais longe
Na direção da maturidade regado a benditos
Nesta festa profana no deleite de suas lágrimas
Discernimentos e alegrias profundas e contínuas.
Hélio Roque

Dança comigo esta noite!

Dança comigo esta noite
Esquece as nóias reais
E viaja comigo
Para uma dimensão extra-terrena
Onde seremos deuses
Nesse pedaço de mundo imaginário

Dança comigo só esta noite
Pois o depois não nos pertence
Esquece as complexidades
Da vida regrada
E nasce comigo
No escuro Humano da transformação
Que junta corpos e almas
Numa metamorfose
Parida pelo instinto
Do gozo carnal

Dança comigo esta noite
No silêncio astral e lunar
Em movimentos enigmáticos
De clímax que não querem
Ser desvendados, pois
Não interessam a mais ninguém
Porque só nós, amor,
Sabemos tais mistérios.

Aurilene Pereira.

Cavaleiro andante

Cavaleiro andante
Por entre terras e mares
Por entre dias e noites
Por entre bocas e ares

Cavaleiro andante
Me leva junto contigo
Me mostra o infinito
Das terras em que pisastes

Cavaleiro andante
Me diz quem é teu senhor
Me ensina o teu amor
Arranha-céu da minha saudade

Cavaleiro andante
Mito e mitologia
Pivô da minha agonia
Com minha vida ficastes

Cavaleiro andante
Volta para meus braços
Vem sentir meu abraço
Um alento de prantos deixastes

Cavaleiro andante
Cantiga do meu canto
Movimento do meu encanto
Me conta com o quê sonhastes

Cavaleiro andante
Deus meu medieval
Figura do bem e do mal
Teus versos me conquistastes

Aurilene Pereira

Friday, August 11, 2006

Fragmentos



Somos imortais
fragmentos imortais,
carcaça que se
acaba,
pedaços que ficam.
Pedaços de nossas vidas
em outras tantas vidas!
que vão e que vem,
ondas que passam,
que voltam transformadas,
ou transtornadas?!!!
insistindo em ser,
o ser e o não ser,
o que naõ são na essência.
Instinto selvagem!!!???
recortes de vidas,
vidas passadas,
presentes,
fragmentadas.

aurilene pereira

Tuesday, August 08, 2006

Palavras (Eu poema)

Uma metralhadora desmedida
Que vai correndo sem cessar
Expressões que dão sentido
Impulsos de imaginar

Tudo que se possa dizer
Tudo que se possa falar
Tudo que se possa esconder
Tudo que se possa negar
Está ali, bem explícito
Na branca folha que antes era
E o que não se pode ver
Nas entrelinhas dilacera

Parece que nessa historia
Se pega gosto fazendo
É só deixar bem aberta
A porta do pensamento

Um tiro sem direção
Um carro na contra mão
É assim que eu poema
Exponho meu coração

aurilene pereira

Saturday, August 05, 2006

Recorte de vida

Recorte de vida

As transformações que percebo em mim hoje, tem muito a ver com as minhas vivências atuais. Minhas conquistas pessoais.
As diferentes ramificações que aparentemente se mostra como se fosse desconcertante vai dando uma completude singular e ao mesmo tempo contemplante, a árvore mulher que busca ser diferente nesse processo de contrução.
È confuso esse tempo, tá sendo, mas talves necessário.
Levo comigo marcas e resquicios de muitas gentes que se foram e que ainda estão muito presente.
Levo comigo marcas de gentes que sempre estiveram e estão presente de corpo e espírito.
É como se fosse recortes de outras vidas consttruindo vidas em ciclo contínuo e sendo construída.
A liberdade é gostosa, esse sentimento é confortavel e te dar prazer. Tudo parece mais real, é como se tu fosse uma criança na adrenalina de andar sozinha, topa, cai, mas está nessa incansável tentativa.
Assim como a planta tu também sabe que precisa ser regada, poldada, se desfazer de pedaços que não contribuem tanto.
Se bem que eu não saberia dizer com fiel precisão quais seriam esses pedaços podres, é bom o outro ou outra nesse momento porque muitas vezes ele ou ela percebe melhor do que tu.
A felicidade é algo construído e dentro dessa construção existe a realização pessoal e a coletiva, sabendo que tu pertence a um conjunto de relações com um mundo de diferenças...
e aí é que estão os limites e o exercício de busca de entendimento teórico/prático de um bom censo.
auri pereira